O suposto desuso dos hipercalóricos

  • 8 April 2015
  • Leticia Azen

Há 17 anos realizo atendimento a atletas e praticantes de atividade física. Ao logo deste tempo tenho notado uma progressiva redução na utilização dos “Hipercalóricos” (sim, porque as pessoas que me procuram, na maioria das vezes, já fazem uso prévio de algum produto). Será que todos compactuam desta mesma observação? Gostaria de ler relatos a respeito.

Creio que isto se deva ao fato de grande maioria procurar um Nutricionista para conseguir reduzir o percentual de gordura e talvez também devido à desinformação a respeito da finalidade de um produto mais completo (aquele que não teria apenas proteína na sua composição) e pânico muitas vezes exagerado a respeito do valor energético (calorias) da dose sugerida pelo fabricante do produto.

Vamos então a alguns esclarecimentos...

De acordo com a resolução da Anvisa no 18, publicada em 17 de Abril de 2010, os conhecidos “Hipercalóricos” devem ser registrados como “Suplementos para substituição parcial de refeição” (produtos destinados a complementar as refeições de atletas em situações nas quais o acesso a alimentos que compõem a alimentação habitual seja restrito) e respeitar as seguintes características:
• Carboidratos: 50-70% do Valor Energético Total (VET) do produto pronto para consumo.
• Proteínas: a quantidade de proteínas deve corresponder a 13-20% do VET do produto pronto para consumo.
• Lipídios: no máximo, a 30% do VET do produto pronto para consumo; os teores de gorduras saturadas e gorduras trans não podem ultrapassar 10% e 1% do valor energético total, respectivamente.
• Energia: no mínimo, 300kcal por porção.

Sendo assim, não raro encontraremos produtos no mercado sugerindo mais de 1000 calorias por dose, a qual muitas vezes, segundo o fabricante, ainda poderia ser repetida várias vezes ao dia... Assustador, não acham? Sugiro que nenhum suplemento seja utilizado sem a orientação de Nutricionista habilitado, mas neste caso ainda mais! Isso porque podem induzir ao ganho exagerado de peso, diarreias e outros transtornos.

Como os leigos costumam atentar para o valor energético da dose, possivelmente irão evitar a compra do “Massa 3000”, cuja dose fornece mais de 1000kcal (veja a imagem anexa). Talvez por isso o famoso híbrido (o classifiquei assim porque não consegui enquadra-lo nas características descritas acima) “Sinta Massa” vem sendo cada vez mais utilizado... Mas será que esta seria a melhor escolha para substituição de refeição? Notem que o produto em questão fornece cerca de 200kcal, o que talvez até seja adequado para substituição de um lanche, mas possivelmente não substituiria as demandas previstas para o almoço, por exemplo... Agora mais uma alerta: antes de julgarmos um produto mais calórico do que o outro, precisamos comparar dose com igualdade de peso, visto que, ao serem convertidos para uma quantidade padrão (usei 100g), ficam muito semelhantes... No caso exemplificado, note que o “Sinta Mass” torna-se o mais energético de todos!

Outra curiosidade, a qual também costumo trazer para reflexão nas minhas aulas, refere-se ao número apresentado na rotulagem... A maioria poderia crer que o Massa 150000 é mais energético do que o Massa 3000, mas vejam que isso não procede!

Sendo assim, os critérios para a escolha de um produto passam a ser, por exemplo: aquele de procedência confiável, com ingredientes que lhe interesse, o que fornece a proporção carboidrato:proteína almejada...

Conclusão, meu objetivo mais uma vez é mostrar que ninguém irá acertar na escolha e nem na dose do produto sem a orientação profissional, portanto ANTES DE COMPRAR QUALQUER PRODUTO, MARQUE UMA CONSULTA COM NUTRICIONISTA!

Um abraço e até a próxima!