ÓLEO DE COCO

  • 23 November 2016
  • admin

Como sabem não sou especialista de Nutrição Clínica, mas resolvi estudar sobre o óleo de coco para atualizar o capítulo que trata dos "Lipídios" na última versão do meu livro.

Como o tema "óleos vegetais" esteve em alta esta semana, registro aqui parte do conteúdo do capítulo para tentar enriquecer o debate, tentando, especialmente, destacar que NÃO HÁ CONSENSO dos seus benefícios à saúde e, muito menos, para emagrecimento.

Um costume que vêm se tornando frequente é misturar óleo de coco em preparações variadas. Já soube de pessoas acrescentando em shakes de proteína, em preparações a base de frutas e cereais,... Para que isso? Dizem que é para reduzir o índice glicêmico, aumentar a saciedade,... Mas será que esta é a única solução? E como fica o sabor da preparação? E o aumento do valor energético? Você está mesmo seguro dos benefícios?

Quando o assunto é gordura, HAJA CONTROVÉRSIA! Quando comecei a estudar Nutrição, há mais de 20 anos, aprendi que o certo era trocar manteiga por margarina, depois descobriu-se todos os malefícios das gorduras trans, ... O óleo de canola era o queridinho, mas agora muitos discordam e recomendam o óleo de coco,... Quais serão as cenas dos "próximos capítulos"?

Eu continuarei tentando acompanhar a ciência (e não os modismos) e, por enquanto, o que recomendo com convicção (pelo menos até hoje) é que devemos utilizar o mínimo (ou nada de óleo, quando possível) nas preparações, mas vale lembrar que trabalho essencialmente com pessoas saudáveis e fisicamente ativas.

Um abraço e até a próxima! ;)

"Óleo de coco

O coco e o óleo de coco (Coco nucifera) são importantes fontes naturais de TCM e gorduras saturadas, especialmente de ácido láurico (C12:0). Em algumas regiões da Asia, o óleo de coco representa até 80% da gordura consumida (Lipoeto et al., 2004; Kumar et al., 1997).
Ao contrário dos outros ácidos saturados, especialmente ácido mirístico e palmítico, o ácido láurico é resistente à oxidação não enzimática, portanto se conserva por longos períodos, sem necessidade de refrigeração ou adição de produtos químicos (Machado et al., 2006). Além disso, a suplementação com oleo de coco extra virgem seria capaz de exercer ação antiaterosclerótica, devido ao seu benefício no perfil lipídico e cardiovascular de indivíduos dislipidêmicos (DebMadal & Madal, 2011; Nevin & Rajamohan, 2004; SBC, 2013; Silva et al., 2011) em comparação com as gorduras sólidas ricas em ácidos graxos trans (Mensink et al., 2003),102 especialmente por auxiliar na elevação do níveis de HDL-C (Feranil et al., 2011; SBC, 2013; Silva et al., 2011).

Outros benefícios da gordura do coco têm sido sugeridos, tais como:
a) aumenta a resposta imunológica contra diversos microrganismos (bactérias, fungos e virus) (DebMadal & Madal, 2011; Enig, 1996);
b) previne alguns tipos de câncer (DebMadal & Madal, 2011; Enig, 1996); 
c) desempenha ação antiinflamatória (Enig, 1996);
d) possui ação antioxidante por ser rico em vitamina E (Enig, 1996) e vitamin C (DebMadal & Madal, 2011);
e) auxilia na redução da circunferência da cintura em obesos (Liau et al., 2011);
f) efeito antitrombótico (DebMadal & Madal, 2011).

Mas o que dizem os estudos?
No Brasil, ensaios clínicos têm demonstrado uma redução da relação LDL:HDL, aumento do HDL-C e redução da circunferência abdominal no grupo que utilizou 30mL de óleo de coco, durante três meses (Assunção et al., 2009; Silva et al., 2011). Por outro lado, apesar dos potenciais benefícios do óleo de coco no HDL, um recente estudo com cobaias que comparou óleo de coco com azeite de oliva e óleo de girassol comprovou o efeito hipercolesterolêmico do coco e seus subprodutos, uma vez que o grupo tratado com óleo de coco apresentou aumento significativo da fração não HDL e triglicérides (Lecker et al., 2010). Liau et al. (2011) também não observaram alteração no perfil lipidico dos sujeitos suplementos com 30g de oleo de coco extavirgem (ou 24g de ácido láurico), durante quatro semanas." (Leser & Alves, 2015)